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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma dica aí

Boa noite pessoal!

Depois de mais de uma semana sem postar nada (culpa do feriado prolongado e da semana agitada que veio em seguida), aqui estou eu (metaforicamente falando) de novo. Confesso que já estava com saudades de compartilhar (essa palavra nunca esteve tão presente no meu vocabulário como está agora) minhas idiossincrasias (por assim dizer) com vocês. Esta semana não tenho nada de muito interessante para postar. Por isso, vou postar hoje uma dica básica de português, uma pequena mudança fruto do novo (se que é ainda se pode chamá-lo assim) acordo ortográfico. Pois bem, vamos a ela:

Os ditongos abertos éi e ói não recebem mais acento gráfico nas palavras paroxítonas. Trocando em miúdos:

  • Os ditongos abertos têm esse nome porque as vogais que os compõem são chamadas de abertas (ou, numa classificação mais fonética, médias-baixas) porque são pronunciadas com a boca mais aberta do que as vogais e e o nas palavras peixe e oito, por exemplo, que são as suas correspondentes fechadas. Essa mudança ocorreu porque os nossos amigos portugueses já não usavam o acento nessas palavras já há muito tempo, e o objetivo do acordo como um todo é de uniformizar a ortografia de todos os países que utilizam o português como língua oficial.
  • As palavras paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica (a sílaba pronunciada com mais intensidade) é a penúltima. Em português só podem ser sílabas tônicas a última, a penúltima ou a antepenúltima sílabas, sendo assim classificadas as palavras de acordo com a posição da sílaba tônica: oxítona (última sílaba), paroxítona (penúltima sílaba) e proparoxítona (antepenúltima sílaba).


Mas voltando aos acentos (ou perda deles):

As palavras assembléia, idéia, protéico, jóia, jibóia e heróico passa a ser escritas como assembleia, ideia, proteico, jiboia e heroico.

Porém, preste atenção: as palavras pastéis e herói, por exemplo, continuam a ser acentuadas, porque, apesar de conterem os referidos ditongos abertos, são oxítonas (sua sílaba tônica é a última).

Enfim, é isso. Fico por aqui. Pretendo voltar (ou não) com outras dicas quando estiver mais inspirado. Até!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Uma confissão...

...ou De Páscoa e de chocolates 



É... eu sabia que isso iria acontecer: que eu iria me deixar levar pelos outros, pela propaganda, pela época e iria sucumbir ao desejo... Como pude deixar que isso ocorresse? Logo eu que tento sempre ser tão racional me deixei cair desse jeito... No entanto vim aqui de cara limpa (porém com um pouquinho de acne) para confessar o meu pecado: 

Comprei um ovo de chocolate. Sim, é isso mesmo. Não estou mentindo, falo (teclo) sério! Comprei um desses ovos da moda, objetos de comerciais constantes na TV (e olha que nem vejo tanta TV assim). Mas o que seria tão grave em comprar um ovo de chocolate em plena Páscoa?

Primeiro, eu conheço o significado original da Páscoa. Não tem nada a ver com chocolate e coelhinho (não vou entrar no mérito da pregação religiosa, por não achar que aqui seja o local adequado)... 

Segundo, eu sou contra (ou pelo menos eu era, agora já não sei mais depois do chocolate... é quase uma crise existencial) a comercialização das datas comemorativas: Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, etc.

Terceiro... Bem, não há terceiro motivo, o que faltou foi uma maneira melhor de iniciar o parágrafo. Deixe-me então contar-lhes como aconteceu: Estava eu passeando por um grande shopping de Natal, que fica bem no meio do caminho para quem vai para a Zona Norte ou para a Zona Sul (não preciso contar qual é, não é?), quando vi aquela fila na entrada de uma loja especializada na venda de chocolates. Eu pensei: 

"Se tem uma fila desse tamanho só para poder entrar deve ser uma promoção muito boa, ou então, o produto deve ser de ótima qualidade". 

Aproximei-me, como que vítima de um tipo de efeito manada, e fiquei conversando com algumas pessoas que estavam na fila. Nisso, a fila vai andando e chega a minha vez de entrar loja. Pergunto pra mim mesmo: 

"Você vai realmente participar desse arroubo consumista?" (É claro que na hora não me vieram essas palavras bonitas, tomo aqui um pouco de liberdade criativa, mas vocês me entendem, ?)

Ao que respondo (apenas na minha mente, não pensem que eu converso sozinho): 

"Já estou aqui há quase 20 minutos, já até adicionei essas pessoas no Facebook, vou entrar, sim."

E lá se vão mais uns 20 minutos até conseguir sair de lá com a minha recompensa por aquele momento de provação: um grande e, aparentemente delicioso, ovo de chocolate. De posse do meu troféu, sigo para casa, refletindo sobre o acontecido:

"Como fui tolo! Gastar tanto dinheiro com chocolate!"

Já era tarde, porém, e Inês já estava morta (pelo menos desde o século XIV). Então não adiantava mais chorar sobre o chocolate comprado. Então decidir fazer duas coisas, a fim de conseguir a minha expiação: 1) Compartilhar com vocês a minha aflição; e 2) saborear lentamente todo aquele chocolate (o que, aliás, estou fazendo agora mesmo entre uma teclada e outra).

Feliz Páscoa (apreciem os ovos de chocolate com moderação)!

domingo, 17 de abril de 2011

A culpa é da gasolina?

Nestes dias de aumento (abusivo, por sinal) do preço da gasolina (em todo o país, mas acho que em Natal foi pior...), muitos se aproveitam para usar isso como desculpa para aumentar o preço de tudo e mais um pouco...

É claro que é esperado o aumento no preço de produtos que envolvam grandes deslocamentos, já que o principal meio de entrega de mercadorias no Brasil é o rodoviário, o que os encarece bastante. A rigor, então, tudo deveria ter aumentado de preço na mesma proporção, para compensar o aumento da gasolina (todos sabemos que é o consumidor quem – fazendo uso de mais um dito popular, o que eu particularmente gosto de fazer, pois acho digno – paga o pato). No entanto, encontramos algumas situações como as citadas a seguir:

O quilo do feijão subiu? É culpa do aumento do preço da gasolina!

O material escolar aumentou de preço? Gasolina, de novo!

Mas as coisas também podem piorar. Por exemplo:

O aluno perdeu a prova? A gasolina é a culpada!

O aluno tirou nota baixa em Matemática? Que gasolina malvada!

O Santos perdeu na Libertadores há duas semanas? Olha aí a gasolina atuando em nível continental! (mau-caráter do olho junto!)

A chuva provocou alagamentos? Foi a gasolina! (Até no clima a gasolina está influenciando?! Que pérfida!)

Agora, por favor, só não me venham dizer que foi a gasolina que provocou o terremoto, o tsunami e o desastre atômico no Japão, e que fez Bravura indômita não ganhar nenhum Oscar este ano, que eu não acredito!

– Gasolina, que estranho ser físico-metafísico és tu, capaz de alterar/governar os destinos da humanidade?!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Noivado rompido... temporariamente

Este deveria ter sido um micropost, claro que não um daqueles reduzidos a 140 caracteres, porque aí já seria demais... Meu poder de síntese, nem nos meus melhores dias, seria capaz de fazê-lo (e acabar escrevendo quatro parágrafos não é bem o que se possa chamar de micropost). Então este será apenas mais um post. Bem, a ideia me ocorreu agora há pouco quando postava algo no Facebook (algumas das coisas postadas aqui têm sua origem lá).

Se alguém se deixou levar pelo título, esclareço logo: ele é despistador. Não rompi nenhum noivado recentemente (até porque nem estou em um ainda, por enquanto). O noivado do título (ou melhor, seu rompimento) se refere à Noiva do Sol: este é um dos apelidos de Natal, minha ensolarada cidade, que hoje, preferiu romper (temporariamente, espero) esse relacionamento e tornar-se amante da chuva em um tórrido affair (se é que se pode classificá-lo assim).

Choveu hoje como não ocorria há um bom tempo, causando vários problemas (todos interligados): ruas alagadas, trânsito caótico, ônibus atrasados e lotados... enfim, um nada tranquilo dia de chuva, se você tem que trabalhar ou estudar, ou apenas sair de casa. Não me entendam mal, não sou contrário à chuva: gosto dela bastante até, especialmente pelo calor dos últimos dias, e também porque vim do interior onde a chuva (e agora estou me citando do Facebook) é mais do que bem-vinda. No entanto, mais uma vez, a chuva nos lembra de que a nossa cidade não está preparada para lidar com ela; que não pode ter um relacionamento sério e duradouro com ela, porque, se isso acontecesse a Noiva afogaria... literalmente.

É claro que também não devemos torcer para que o relacionamento entre a Cidade e o Sol seja exclusivamente monogâmico. Afinal, às vezes dar um tempo no relacionamento pode ser saudável para o casal, e um pouco de Chuva também pode ajudar a acender (acho que, nesse caso, a palavra mais adequada seria desacender) as coisas entre os noivos... E vocês, o que acham?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um palavra aí com borogodó

Hoje li em uma revista semanal que a palavra borogodó estava dicionarizada e resolvi checar a informação. É isso mesmo! O dicionário Houaiss assim a define: "1. atrativo pessoal irresistível; 2. afeto, carinho". Interessante também é o exemplo apresentado: "Com todo aquele borogodó, ele está sempre rodeado de mulheres".

Com o exemplo, fica claro o tipo de contexto social em que a palavra é usada. Afinal, quem não gostaria de ter um borogodó para chamar de seu!? Aliás, se existe uma palavra que tem borogodó é a própria. Talvez essa expressividade da palavra se deva à sua soronidade: é formada apenas por consoantes vozeadas (que exigem vibração das cordas vocais durante sua articulação, além de apresentar três consoantes oclusivas, que envolvem a obstrução total da passagem da corrente de ar durante sua produção... ops!, meu propósito aqui não é dar aula de fonética) o que lhe conferiria uma pronúncia poderosa, que chame a atenção alheia. Seria ela também uma onomatopeia? Quem sabe...

O que mais me chamou atenção no episódio, no entanto, não foi o uso da palavra em uma revista de grande circulação nacional (não vou divulgar o nome da revista, porque não estou recebendo nenhum por fora!), mas a postura, vamos chamá-la assim, liberal do dicionário. Um dicionário, ao contrário do que alguns possam pensar, não é um baú de palavras, com a função de preservar-lhes a pureza e conservá-las por toda a eternidade. É (e não sei se estou muito reducionista nesta definição) um modo de registrar as palavras que são usadas na língua.

É claro que eu seria ingênuo se acreditasse que a concepção de língua com a qual trabalham os lexicógrafos (os sujeitos que produzem os dicionários) está inteiramente de acordo com as mais modernas teorias linguísticas a respeito do que é o do que não é a língua. Porém, esses parecem ser bem mais flexíveis do que os gramáticos tradicionais e sua visão engessada de língua. Enfim, não me deterei nessa discussão a essas horas da noite. O corpo reclama descanso...

O que quis mostar com esse post (muito provavelmente sem pé nem cabeça) foi a minha admiração pelo uso de uma palavra recente na língua em um grande veículo de comunicação, ainda mais quando sei que este é patrulhado de perto pelos puristas da língua e, na maioria das vezes, adota uma postura em concordância com eles. Bem, estou escrevendo muita besteira? Julguem vocês mesmos. Até...

Some certain words

This is my first post in English ever (at least here).That’s why it will be a little bit short, without many words, just some… Its title is one attempt to translate the blog’s name. Of course, I know the literal translation would be impossible, because the word AÍ on it (the blog’s name in Portuguese) is developing a new function in Portuguese language (see the post A propósito do título below), and I’m not so sure if the translation is really correct…  Anyway, I decided to post it for two reasons:
In the first place, when you study a new language, it is extremely important practicing it in the four communicative abilities: reading, listening, writing and speaking. Here is the place of writing (correctly or incorrectly) and I’ve not been writing anything in English for a while.
The second reason is that last Saturday I would have my weekly English class and I couldn’t attend it: I had to travel to the countryside earlier than I use to, in order to do a favor for my mom (involving buying chocolate in the Alecrim and…  I won’t detail here all I’ve done there).
Well, that’s it. I told you this post would be short. I have had nothing important to tell you in English yet. Furthermore, I don’t know if all of my readers (few but constant, I hope so) read in English.
So, see you!
P.S.: If whoever wants to comment, correcting me or whatever, feel free to do so… in a polite way, of course.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um romance de cavalaria às avessas

Por sugestão de Thaís Cordeiro (colega das aulas de alemão), no Facebook, informo, a quem interessar possa (e a quem não interessar também) que terminei hoje a leitura de O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino, iniciada na terça-feira.



Foi quase uma leitura clandestina, realizada nos pontos de ônibus (peraí, ponto de ônibus não faz parte do meu dialeto: é parada de ônibus mesmo!), dentro dos referidos veículos e também na sala de espera de um consultório médico. Tudo isso para que as minhas leituras acadêmicas (extremamente necessárias ao meu doutorado) não o soubessem. Até porque ler um texto teórico em inglês dentro de um ônibus sacolejante pelas não tão bem asfaltadas ruas de Natal pode resultar em uma tarefa ingrata e quase nada produtiva.

Pois bem, voltando ao livro: este é apresentado em sua contracapa como "um romance de cavalaria às avessas" (gostei tanto dessa expressão que resolvi utilizá-la para dar título ao post), e o é com certeza. Ele conta, com um humor ora sutil, ora irônico e sarcástico, a inusitada  história (talvez inusitada seja um eufemismo, pois na mesma contracapa, aparece o adjetivo bizarro para se referir a ela) de Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, cavaleiro de Selimpia Citeriore e Fez (ufa!, que nome comprido), o mais fiel, dedicado, destemido, metódico, conhecedor de todo o código de cavalaria e das regras e costumes da guerra, detentor da mais brilhante e bem-cuidada armadura de todo o exército do imperador Carlos Magno. Porém, com um grave e talvez imperdoável (ou não) defeito: não existir. Era apenas uma armadura vazia por dentro, mas cheia de uma vontade férrea capaz de tornar aquela armadura o mais fiel, dedicado... ops, já disse isso.

O livro é narrado por uma religiosa (ou pelo menos é o que pensamos durante quase toda a história), a irmã Teodora, a quem foi designada essa tarefa como penitência pela madre superiora. Ela nos conta que o inexistente cavaleiro Agilulfo tornou-se cavaleiro por defender a virgindade uma donzela. No entanto, esse feito é contestado por um suposto filho dela, o que leva o nosso herói em busca de uma virgindade perdida quinze anos antes (a fim de poder continuar sendo paladino do exército franco, ostentando todos os títulos que havia conquistado a partir desse feito heroico). Devo mencionar que essa jornada de Agilulfo constitui um verdadeiro alívio para o exército de Carlos Magno, que mal consegue suportar o cavaleiro com sua arrogância e pedantismo, arrotando conhecimentos e leis e regras de cavalaria e de guerra por onde passava, e desmentindo os "grandes" feitos dos paladinos do exército com sua memória infálivel.

Cumpre dizer que o cavaleiro não parte sozinho em sua busca. É acompanhado por Gurdulu, seu louco escudeiro; e seguido por Bradamante, a donzela guerreira, perdidamente apaixonada por ele; e por Rambaldo, jovem guerreiro que, no início da história, entra na guerra para vingar a morte de seu pai, pelas mãos do emir Isoarre, do exército sarraceno, mas, tão logo a vingança é consumada, encontra um motivo para continuar guerreando, no amor não correspondido por Bradamante.

A fim de não estragar a história (revelando spoilers) para quem ainda não teve o prazer de desfrutar dessa curta, porém ótima narrativa, não revelarei se a jornada de Agilulfo foi ou não bem-sucedida, se ele conseguiu ou não reaver seu título de cavaleiro, se Bradamente conseguiu ter seu amor correspondido ou se o pobre Rambaldo teve sucesso em sua busca amorosa. Resta-me, unicamente, recomendar a leitura, certamente bastante prazerosa, desta obra, considerada (pelo menos por mim) um dos grandes clássicos da literatura mundial no século XX (acho que talvez tenha sido um tanto quanto bajulador, mas é porque realmente gostei do livro).

Antes de mais nada, cuidado com os sabichões

Olá,

Mais um post do Sobre palavras. Este destaca uma das (muitas) idiossincrasias do nosso idioma. É interessante a postura do colunista em relação à língua, até aqui, aparentemente, (quanta intercalação!) liberal (é claro que eu também posso estar enganado). Bem, julguem vocês mesmos.


Antes de mais nada, cuidado com os sabichões

Do googol ao Google

Olá a todos,

De vez em quando (sempre que achar interessante, e os posts podem realmente sê-lo para aqueles interessados, como eu, em aspectos relacionados com o uso da língua), compartilharei aqui alguns posts do blog Sobre palavras, de Sérgio Rodrigues, colunista de Veja.com. Espero que gostem.

Ah! É só clicar no link abaixo: 


Do googol ao Google

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A propósito do título

Olá a todos,

Neste segundo post, atendendo a pedidos de ninguém, resolvi tentar explicar, de maneira sucinta (ou não), o título do blog: Umas palavras aí. Na verdade, é uma homenagem ao meu objeto de estudo desde o mestrado. Trata-se de uma função do AÍ que eu venho chamando de marcador de especificidade de sintagmas nominais indefinidos, ufa... Mas pra que um palavrão desse tamanho para uma palavrinha tão pequena, de apenas duas letras?

Calma, que eu explico.

Em primeiro lugar, é importante dizer que sigo uma visão de língua dinâmica, sujeita a variações e mudanças, lentas, mas constantes. Essa concepção não considera língua apenas o que está prescrito nas gramáticas, mas tudo o que é falado e escrito por todos os seus usuários.

Assim, se a língua é dinâmica, é comum certas palavras da língua passarem a desempenhar novas funções. É o que ocorre com AÍ. Esse adverbiozinho (e esse zinho expressa afetividade, não depreciação) é o que costumamos chamar em Linguística Funcional (a teoria que sigo) de palavra multifuncional. No português brasileiro, esse item linguístico costuma desempenhar, entre outras, as seguintes funções:

1) Advérbio de lugar: sua função primeira e a única descrita nas gramáticas tradicionais.

Ex.: Falei com um menino AÍ (nesse lugar).* 

2) Conector: função bastante comum na fala e talvez a mais frequente desempenhada por esse item. Atua ligando duas ou mais porções de discurso (já que a fala não é comumente dividida em orações e períodos como a escrita).

Ex.: Encontrei com Maria na rua, AÍ ela me chamou para ir ao shopping, AÍ decidimos assistir um filme, AÍ chegamos no cinema e tinha uma fila enorme lá...

3) Marcador de especificidade ou advérbio pronominal: nessa função, AÍ atua como uma espécie de pronome indefinido como CERTO, geralmente acompanhando um substantivo antecedido por um artigo indefinido (daí a denominação sintagma nominal indefinido), indicando que o falante normalmente sabe alguma informação a mais a respeito do substantivo seguido de AÍ, mas que opta (por motivos os mais diversos) não detalhá-la.

Ex.: Maria disse que precisa conversar umas coisas AÍ com você.

Esse exemplo equivale mais ou menos a dizer: Maria disse que precisa conversar CERTAS coisas com você.

Então pessoal, espero que tenha conseguido esclarecer (e não complicado mais) essa função do AÍ. Se alguém se interesseu pelo tema, pode ler mais sobre ele, clicando no link abaixo.


Até a próxima e aguardem mais umas palavras aí...

* Os exemplos são criados, mas refletem outros que já ouvimos ou coletamos em corpora diversos.




terça-feira, 5 de abril de 2011

Para início de conversa

É, cá estou eu criando um blog. Antes de mais, devo me apresentar. Meu nome é Wildson Confessor. Moro em Natal, a capital mais ensolarada do Brasil, onde também estudo (faço doutorado em Linguística Aplicada - que ninguém me peça para definir o que é) e trabalho (sou revisor de textos na Editora da UFRN e professor na UnP). Gosto de ler (tenho de até por razões óbvias), ver TV (não que essa seja uma atividade dignificante), ir ao cinema (idem), conversar com os amigos (os poucos assim chamados) e também de ficar sem fazer nada (que a minha orientadora não o saiba!).

O que leva uma pessoa que, aparentemente, não tem muito tempo disponível a realizar essa empreitada internetística (acabei de inventar)? Provavelmente, porque tem algo a dizer. Algo que seja relevante, importante, interessante, intrigante até. Pode ser.

Pode ser também exatamente pelo oposto: por não ter algo propriamente interessante a dizer, mas querer dizer algo; ou, simplesmente, experimentar compartilhar algo web afora (ou a dentro, quem sabe!?).

Assim, deixando de lado os entretantos e partindo para os finalmentes (de onde veio isso, afinal?), é necessário que se diga qual será a temática do blog. Pretendo escrever sobre tudo...

...e sobre nada.

Brincadeira! Ainda não sei bem sobre o que quero escrever. Talvez observações sobre fatos do cotidiano... Talvez considerações acerca de alguns aspectos da língua portuguesa... Talvez algum exercício de escritura literária (se o autor for capaz disso)... Talvez o que der na telha... Bem, parafraseando o antigo provérbio, quem clicar lerá!

É isso... Estou oficialmente online. Voltarei sempre que tiver umas palavras aí para compartilhar com vocês.