Nestes dias de aumento (abusivo, por sinal) do preço da gasolina (em todo o país, mas acho que em Natal foi pior...), muitos se aproveitam para usar isso como desculpa para aumentar o preço de tudo e mais um pouco...
É claro que é esperado o aumento no preço de produtos que envolvam grandes deslocamentos, já que o principal meio de entrega de mercadorias no Brasil é o rodoviário, o que os encarece bastante. A rigor, então, tudo deveria ter aumentado de preço na mesma proporção, para compensar o aumento da gasolina (todos sabemos que é o consumidor quem – fazendo uso de mais um dito popular, o que eu particularmente gosto de fazer, pois acho digno – paga o pato). No entanto, encontramos algumas situações como as citadas a seguir:
O quilo do feijão subiu? É culpa do aumento do preço da gasolina!
O material escolar aumentou de preço? Gasolina, de novo!
Mas as coisas também podem piorar. Por exemplo:
O aluno perdeu a prova? A gasolina é a culpada!
O aluno tirou nota baixa em Matemática? Que gasolina malvada!
O Santos perdeu na Libertadores há duas semanas? Olha aí a gasolina atuando em nível continental! (mau-caráter do olho junto!)
A chuva provocou alagamentos? Foi a gasolina! (Até no clima a gasolina está influenciando?! Que pérfida!)
Agora, por favor, só não me venham dizer que foi a gasolina que provocou o terremoto, o tsunami e o desastre atômico no Japão, e que fez Bravura indômita não ganhar nenhum Oscar este ano, que eu não acredito!
– Gasolina, que estranho ser físico-metafísico és tu, capaz de alterar/governar os destinos da humanidade?!