quarta-feira, 1 de junho de 2011

Enquadrado pela Lei...





Olá pessoal,

Já faz algumas semanas (16 dias, na verdade) que não posto nada de novo. Isso é, em parte, culpa das minhas muitas atribuições. Até tive algumas ideias para novos microcontos, que, infelizmente não se concretizaram (pelo menos até agora), por falta de tempo (ou talvez pela má administração dele)... Enfim, o fato é que acho que acabei sendo vítima da tal lei que nomeia o post  (a qual também passei a conhecer hoje).

Para quem acha que andei infringindo a lei, e por isso estive impossibilitando de atualizar o blog, não se preocupe, pois não cometi qualquer infração: a lei à qual estou me referindo é a chamada de Lei de Hofstadter (que, apesar do nome, não tem nada a ver com o personagem de uma conhecida sitcom americana). Trata-se de uma ironia em administração, criada pelo acadêmico norte-americano Douglas Hofstadter, e que afirma que "é sempre necessário mais tempo que o previsto, mesmo quando se segue a Lei de Hofstadter". Isso significa que quando temos de realizar uma determinada tarefa, especialmente quando a realizamos pela primeira vez, tendemos a calcular mal o tempo que levaremos para completá-la. No fim das contas, gastamos mais tempo do que o esperado (e desejado) para o cumprimento da tarefa em questão.

Tal fato aconteceu comigo. Fui muito otimista no cálculo do tempo que gastaria para executar determinadas tarefas (inclusive a quase escrita de um novo conto) e o resultado vocês já sabem: mais de duas semanas sem aparecer (se é que é possível utilizar esse verbo neste contexto) por aqui.

Acho que aprendi (ou não) a lição. Da próxima vez, tentarei seguir a Lei, para não ser enquadrado por ela. Até a próxima (que espero que não seja muito distante)!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Novo microconto

Olá,

Passei mais de uma semana sem postar nada aqui, devido às muitas ocupações da semana passada. Vida de doutorando que trabalha não é nada fácil... Compenso a ausência da semana com mais um microconto. Espero que gostem.

O escorpião


Enquanto terminava de empacotar seus pertences, ele não deixava de pensar no alívio que era mudar-se dali. Morava ali há mais de um ano, que, por sinal, custou muito a passar. Lembrou-se também de como fora parar ali: a emoção de sair da casa paterna, de ter o seu próprio espaço (ainda que alugado), de fazer seus próprios horários sem dever satisfação a ninguém.
Escolhera aquela casa (talvez a palavra não seja exatamente adequada para descrever aquele ambiente: uma minúscula sala de estar; um quarto pequeno, onde competiam, em busca de espaço, uma cama de solteiro, um guarda-roupa e uma pequena estante na qual ficava a TV; uma microcozinha e um banheiro) por uma confluência de fatores: ela ficava próxima do trabalho, ao qual poderia ir caminhando todos os dias; também se localizava a um pulo da faculdade, aonde também iria a pé, beneficiando-se duplamente – faria exercícios regularmente ao mesmo tempo em que economizaria dinheiro com transporte, afinal, seu salário não era lá grande coisa; e era o imóvel com o aluguel mais barato dentre os que ele visitara anteriormente.
Entretanto, a vida não é feita apenas de vantagens e benefícios, é cheia de reveses também. Ao lado do seu lar doce lar, havia um terreno onde supostamente seria construído um prédio residencial, mas no qual, desde o momento em que fora morar lá até o dia em que saíra, havia apenas muito entulho, os restos mortais das casas que outrora existiram ali, o que favorecia o aparecimento de animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões. Ele, por sua vez, tinha uma verdadeira fobia desses animais. Não conseguia ficar no mesmo ambiente em que houvesse um deles. Por isso, nunca visitava o primo que tinha uma aranha-caranguejeira de estimação e também mudava de canal sempre que aparecia um desses bichos horríveis na televisão. Assim, foi muito difícil para ele lidar com o que ocorreu na segunda noite após a sua mudança para aquela casa.
Ao entrar em casa, após a volta da faculdade, foi à cozinha, como de costume, beber um pouco de água. Depois se dirigiu ao banheiro, a fim de satisfazer uma de suas necessidades fisiológicas. Quando acendeu a lâmpada, seu sangue praticamente congelou nas veias: uma enorme aranha, negra e peluda, passeava despreocupadamente sobre o vaso sanitário. Ele, então, afasta-se rapidamente da porta, dá meia-volta e sai quase correndo de casa. E agora? O que faria? Como iria resolver aquele problema? Não podia pedir ajuda aos vizinhos, pois, além de não conhecer ninguém nas redondezas, seria muito humilhante se ele, homem-feito e independente, não conseguisse matar uma simples – talvez não tão simples – aranha. Poderiam caçoar dele pelo resto da vida.
Parou um pouco para refletir, respirou fundo e entrou novamente em casa. Dessa vez, extremamente cauteloso, foi até a cozinha, pegou uma vassoura, e rumou, pé ante pé, para o banheiro, tal qual São Jorge, determinado a aniquilar aquele dragão. Enquanto entrava, bradava em pensamento: É você ou eu. Apenas um de nós sairá vivo daqui. Depois de um embate trabalhoso, atrapalhado e, praticamente, sangrento (dentre outros adjetivos que não é lícito mencionar), conseguiu exterminar aquela besta-fera. Livrou-se dos seus restos mortais e trancou-se no quarto, porém não conseguiu dormir naquela noite.
Na semana seguinte, quando voltava novamente da faculdade, deparou-se com um escorpião no mesmo local. Por que esses bichos só inventam de aparecer aqui à noite e justo no banheiro? E justamente na hora mais imprópria? – lamentava consigo. Escorpiões causavam-lhe ainda mais pavor do que aranhas, e esse, em particular, apesar de seu diminuto tamanho (apenas 5cm de comprimento), proporcionou-lhe um combate deveras mais acirrado, pois misturavam-se nele um medo e uma fúria colossais. Além disso, seu oponente era bem ágil e toda vez que se aproximava dele um calafrio descia-lhe pela espinha. Depois de mais de 20 minutos, ergue, enfim (com o auxílio de uma pá), o cadáver do seu inimigo. Corre para o quarto, atira-se sob os lençóis, e dorme, esquecendo-se de que precisava ir ao banheiro.
O tempo foi passando, e os visitantes indesejados tornaram-se habitués. Quase toda semana, encontrava uma aranha ou um escorpião ou uma cobra (esta menos frequente, mas ainda presente), sem falar nas baratas e ratos. Esses outros habitantes fizeram-lhe rapidamente querer se mudar dali. Então, sempre que ficava sabendo de alguma casa ou apartamento disponível para aluguel no bairro, corria até o referido imóvel. O aluguel da maioria deles, contudo, ficava em uma faixa de preço acima do que ele poderia pagar. Alguns já estavam alugados quando ele os ia conhecer. Voltava desanimado para casa, pensando em quando conseguiria libertar-se daquela vida. Não queria voltar para a casa dos pais, pois isso seria um retrocesso, nem pedir-lhes ajuda financeira, o que iria contra os seus princípios. Afinal, gostava de resolver os próprios problemas sem a ajuda de ninguém.
Alguns meses depois, começou a sair com uma colega de turma e a coisa foi ficando séria. Sua namorada sabia do seu pavor por aqueles animais peçonhentos e do quão difícil era para ele conseguir matá-los. Ela mesma já tinha entrado na peleja algumas vezes. Decidiram morar juntos, depois de alguns meses de namoro. Todavia, não poderia ser ali. Ele ansiava com todas as forças deixar aquele local, e essa parecia ser a oportunidade ideal. Após um período de buscas, finalmente encontraram o imóvel ideal: uma pequena casa (pequena, mas bem maior do que a atual) no mesmo bairro, ainda mais próxima do trabalho e da faculdade. Parecia um sonho transformando-se em realidade.
Realizaram a mudança rapidamente. No dia seguinte, ao chegar do trabalho, é recebido pela namorada, que estava estranhamente séria. Ela diz:
– Oi, amor. Senta um pouquinho aqui, não se assuste, nem vá ao banheiro agora. Ele pergunta, meio espantado, sem entender nada: – O que está acontecendo?
– Não é nada.
– Se não é nada, então não há problema se eu for até o banheiro.
– Bem, já que você insiste...
Ele se dirige ao banheiro. A porta está aberta e a lâmpada, acesa. Assim que entra, rapidamente antes de desmaiar, ele vê a suma de todos os seus medos, o seu nêmesis implacável: passeando calmamente sobre o vaso, como que esperando por ele para lhe dar as boas-vindas, um escorpião.

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

1 mês online

Hoje o Umas palavras aí completa seu primeiro mês. Quando decidi criá-lo, no dia 05 de abril, estava muito animado, mas não imaginava que ele ainda estaria online um mês depois. Para comemorar o, assim chamado, aniversário do blog, compartilho com vocês um microconto, de inspiração pascal, que escrevi na semana passada. Espero que gostem e até a próxima.

Uma história de Páscoa

Saiu de casa bastante cedo e apressado no primeiro dia, nem chegou a tomar café. Tinha de ser bem rápido para chegar ao supermercado e não perder a compra dos seus ovos de chocolate preferidos. A Páscoa estava se aproximando e tinha uma lista grande de encomendas: a esposa, as filhas, os sobrinhos, os filhos dos primos, enfim, toda a família estava dependendo dele para ter a sua Feliz Páscoa... Por isso, a pressa. Por isso, também, o esquecimento. Saiu tão apressado de casa naquele dia que não se lembrou de que antes de desistir do café da manhã, o estava preparando, inclusive com o fogão ligado. Só lembrou-se disso, quando já estava no carro, a dois quarteirões do supermercado. Lembrou também, nesse exato momento, de que não levara o celular e não tinha como entrar em contato com a família. Deu meia-volta, chegando rapidamente em casa, a tempo de evitar uma tragédia. Mas aí já estava irritado demais para retornar ao supermercado. Tomou café e foi trabalhar. Decidiu tentar comprar os chocolates no dia seguinte.
No segundo dia, também saiu de casa bem cedo. Dessa vez, porém, lembrou-se de tudo, do café, do celular etc. Durante todo o trajeto, ficou pensando em quanto chocolate iria comprar e, principalmente, comer. Enquanto se deliciava com esse pensamento, foi surpreendido pelo estouro de um pneu, a dois quarteirões do supermercado! Ficou alguns minutos sem acreditar no ocorrido. Teria de trocar o pneu sozinho, uma tarefa que até então lhe era inédita: nunca antes precisara realizá-la. Com muito custo, conseguiu tal proeza. Estava, entretanto, muito atrasado para o trabalho e precisou adiar a compra uma vez mais.
No terceiro dia, decidira ir de táxi ao supermercado para não ter de se preocupar mais com uma eventualidade semelhante à da véspera. Além do mais, devido à correria do dia anterior e de uma forte chuva durante a noite, não dispusera de tempo para providenciar outro estepe para o carro. Acordou cedo – o que já estava se tornando de praxe –, pegou o táxi no ponto que ficava próximo à sua casa e se dirigiu ao supermercado. Contudo, não levara em consideração a chuva da noite anterior: por causa dos alagamentos noturnos, todo o tráfego das ruas e avenidas próximas foi desviado justamente para a avenida em que se localizava o supermercado, causando um grande congestionamento de veículos. Ele logo percebeu que não adiantava insistir naquela ideia. Então, adiou uma terceira vez a compra dos chocolates. “Quem sabe ao final do expediente eu consiga chegar ao supermercado”, pensava consigo. Aquele dia, no entanto, foi bem longo: duas reuniões de emergência, além de todo o trabalho habitual. Assim, não recusou quando um colega lhe ofereceu uma carona para casa. “Amanhã tem de dar certo. Não aguento mais chegar em casa de mãos vazias e ouvir toda aquela cobrança”.
No quarto dia não houve problema de esquecimento, nem com o pneu, nem o trânsito, muito menos com a chuva. Saiu de casa cedo, mais uma vez. Dirigiu tranquilamente pelas avenidas quase sem tráfego, especialmente a do supermercado, o que era no mínimo incomum. “Talvez muita gente tenha evitado dirigir por aqui, para não ser pega em um congestionamento como o de ontem”, pensou. Chegou então rapidamente ao supermercado, não gastando mais do que 10 minutos em um trajeto que normalmente consumiria uns 25. Ao aproximar-se da entrada do estacionamento, porém, percebeu o motivo de toda aquela calmaria: era feriado e o supermercado estava fechado...


P.S.: Gostou? Detestou? Comente! Pode ser aqui (alguns leitores reclamaram que é um pouco complicado postar um comentário no blog) ou no Facebook, ou no Orkut.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma dica aí

Boa noite pessoal!

Depois de mais de uma semana sem postar nada (culpa do feriado prolongado e da semana agitada que veio em seguida), aqui estou eu (metaforicamente falando) de novo. Confesso que já estava com saudades de compartilhar (essa palavra nunca esteve tão presente no meu vocabulário como está agora) minhas idiossincrasias (por assim dizer) com vocês. Esta semana não tenho nada de muito interessante para postar. Por isso, vou postar hoje uma dica básica de português, uma pequena mudança fruto do novo (se que é ainda se pode chamá-lo assim) acordo ortográfico. Pois bem, vamos a ela:

Os ditongos abertos éi e ói não recebem mais acento gráfico nas palavras paroxítonas. Trocando em miúdos:

  • Os ditongos abertos têm esse nome porque as vogais que os compõem são chamadas de abertas (ou, numa classificação mais fonética, médias-baixas) porque são pronunciadas com a boca mais aberta do que as vogais e e o nas palavras peixe e oito, por exemplo, que são as suas correspondentes fechadas. Essa mudança ocorreu porque os nossos amigos portugueses já não usavam o acento nessas palavras já há muito tempo, e o objetivo do acordo como um todo é de uniformizar a ortografia de todos os países que utilizam o português como língua oficial.
  • As palavras paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica (a sílaba pronunciada com mais intensidade) é a penúltima. Em português só podem ser sílabas tônicas a última, a penúltima ou a antepenúltima sílabas, sendo assim classificadas as palavras de acordo com a posição da sílaba tônica: oxítona (última sílaba), paroxítona (penúltima sílaba) e proparoxítona (antepenúltima sílaba).


Mas voltando aos acentos (ou perda deles):

As palavras assembléia, idéia, protéico, jóia, jibóia e heróico passa a ser escritas como assembleia, ideia, proteico, jiboia e heroico.

Porém, preste atenção: as palavras pastéis e herói, por exemplo, continuam a ser acentuadas, porque, apesar de conterem os referidos ditongos abertos, são oxítonas (sua sílaba tônica é a última).

Enfim, é isso. Fico por aqui. Pretendo voltar (ou não) com outras dicas quando estiver mais inspirado. Até!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Uma confissão...

...ou De Páscoa e de chocolates 



É... eu sabia que isso iria acontecer: que eu iria me deixar levar pelos outros, pela propaganda, pela época e iria sucumbir ao desejo... Como pude deixar que isso ocorresse? Logo eu que tento sempre ser tão racional me deixei cair desse jeito... No entanto vim aqui de cara limpa (porém com um pouquinho de acne) para confessar o meu pecado: 

Comprei um ovo de chocolate. Sim, é isso mesmo. Não estou mentindo, falo (teclo) sério! Comprei um desses ovos da moda, objetos de comerciais constantes na TV (e olha que nem vejo tanta TV assim). Mas o que seria tão grave em comprar um ovo de chocolate em plena Páscoa?

Primeiro, eu conheço o significado original da Páscoa. Não tem nada a ver com chocolate e coelhinho (não vou entrar no mérito da pregação religiosa, por não achar que aqui seja o local adequado)... 

Segundo, eu sou contra (ou pelo menos eu era, agora já não sei mais depois do chocolate... é quase uma crise existencial) a comercialização das datas comemorativas: Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, etc.

Terceiro... Bem, não há terceiro motivo, o que faltou foi uma maneira melhor de iniciar o parágrafo. Deixe-me então contar-lhes como aconteceu: Estava eu passeando por um grande shopping de Natal, que fica bem no meio do caminho para quem vai para a Zona Norte ou para a Zona Sul (não preciso contar qual é, não é?), quando vi aquela fila na entrada de uma loja especializada na venda de chocolates. Eu pensei: 

"Se tem uma fila desse tamanho só para poder entrar deve ser uma promoção muito boa, ou então, o produto deve ser de ótima qualidade". 

Aproximei-me, como que vítima de um tipo de efeito manada, e fiquei conversando com algumas pessoas que estavam na fila. Nisso, a fila vai andando e chega a minha vez de entrar loja. Pergunto pra mim mesmo: 

"Você vai realmente participar desse arroubo consumista?" (É claro que na hora não me vieram essas palavras bonitas, tomo aqui um pouco de liberdade criativa, mas vocês me entendem, ?)

Ao que respondo (apenas na minha mente, não pensem que eu converso sozinho): 

"Já estou aqui há quase 20 minutos, já até adicionei essas pessoas no Facebook, vou entrar, sim."

E lá se vão mais uns 20 minutos até conseguir sair de lá com a minha recompensa por aquele momento de provação: um grande e, aparentemente delicioso, ovo de chocolate. De posse do meu troféu, sigo para casa, refletindo sobre o acontecido:

"Como fui tolo! Gastar tanto dinheiro com chocolate!"

Já era tarde, porém, e Inês já estava morta (pelo menos desde o século XIV). Então não adiantava mais chorar sobre o chocolate comprado. Então decidir fazer duas coisas, a fim de conseguir a minha expiação: 1) Compartilhar com vocês a minha aflição; e 2) saborear lentamente todo aquele chocolate (o que, aliás, estou fazendo agora mesmo entre uma teclada e outra).

Feliz Páscoa (apreciem os ovos de chocolate com moderação)!

domingo, 17 de abril de 2011

A culpa é da gasolina?

Nestes dias de aumento (abusivo, por sinal) do preço da gasolina (em todo o país, mas acho que em Natal foi pior...), muitos se aproveitam para usar isso como desculpa para aumentar o preço de tudo e mais um pouco...

É claro que é esperado o aumento no preço de produtos que envolvam grandes deslocamentos, já que o principal meio de entrega de mercadorias no Brasil é o rodoviário, o que os encarece bastante. A rigor, então, tudo deveria ter aumentado de preço na mesma proporção, para compensar o aumento da gasolina (todos sabemos que é o consumidor quem – fazendo uso de mais um dito popular, o que eu particularmente gosto de fazer, pois acho digno – paga o pato). No entanto, encontramos algumas situações como as citadas a seguir:

O quilo do feijão subiu? É culpa do aumento do preço da gasolina!

O material escolar aumentou de preço? Gasolina, de novo!

Mas as coisas também podem piorar. Por exemplo:

O aluno perdeu a prova? A gasolina é a culpada!

O aluno tirou nota baixa em Matemática? Que gasolina malvada!

O Santos perdeu na Libertadores há duas semanas? Olha aí a gasolina atuando em nível continental! (mau-caráter do olho junto!)

A chuva provocou alagamentos? Foi a gasolina! (Até no clima a gasolina está influenciando?! Que pérfida!)

Agora, por favor, só não me venham dizer que foi a gasolina que provocou o terremoto, o tsunami e o desastre atômico no Japão, e que fez Bravura indômita não ganhar nenhum Oscar este ano, que eu não acredito!

– Gasolina, que estranho ser físico-metafísico és tu, capaz de alterar/governar os destinos da humanidade?!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Noivado rompido... temporariamente

Este deveria ter sido um micropost, claro que não um daqueles reduzidos a 140 caracteres, porque aí já seria demais... Meu poder de síntese, nem nos meus melhores dias, seria capaz de fazê-lo (e acabar escrevendo quatro parágrafos não é bem o que se possa chamar de micropost). Então este será apenas mais um post. Bem, a ideia me ocorreu agora há pouco quando postava algo no Facebook (algumas das coisas postadas aqui têm sua origem lá).

Se alguém se deixou levar pelo título, esclareço logo: ele é despistador. Não rompi nenhum noivado recentemente (até porque nem estou em um ainda, por enquanto). O noivado do título (ou melhor, seu rompimento) se refere à Noiva do Sol: este é um dos apelidos de Natal, minha ensolarada cidade, que hoje, preferiu romper (temporariamente, espero) esse relacionamento e tornar-se amante da chuva em um tórrido affair (se é que se pode classificá-lo assim).

Choveu hoje como não ocorria há um bom tempo, causando vários problemas (todos interligados): ruas alagadas, trânsito caótico, ônibus atrasados e lotados... enfim, um nada tranquilo dia de chuva, se você tem que trabalhar ou estudar, ou apenas sair de casa. Não me entendam mal, não sou contrário à chuva: gosto dela bastante até, especialmente pelo calor dos últimos dias, e também porque vim do interior onde a chuva (e agora estou me citando do Facebook) é mais do que bem-vinda. No entanto, mais uma vez, a chuva nos lembra de que a nossa cidade não está preparada para lidar com ela; que não pode ter um relacionamento sério e duradouro com ela, porque, se isso acontecesse a Noiva afogaria... literalmente.

É claro que também não devemos torcer para que o relacionamento entre a Cidade e o Sol seja exclusivamente monogâmico. Afinal, às vezes dar um tempo no relacionamento pode ser saudável para o casal, e um pouco de Chuva também pode ajudar a acender (acho que, nesse caso, a palavra mais adequada seria desacender) as coisas entre os noivos... E vocês, o que acham?